terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Torta de ricota e couve

Experimentei outro dia uma receita de torta de ricota e espinafre, que ficou muito boa. Torta de liquidificador, daquelas bem pá-pum.
Porém, aqui em casa acabo comprando espinafre mais porque o marido gosta, eu não sou tão fã. Prefiro couve - além de tudo, mais fácil de achar, menos tóxica que espinafre (este anda com a fama abalada pelos cientistas) etc. etc. E aí me ocorreu substituir o espinafre por couve.
É sério: até a torta ficou mais bonita.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Sorvete de uva facinho

Nem consigo imaginar quantas sobremesas levam leite condensado e creme de leite - normalmente, são aquelas mais mão na roda, rápidas, batidas no liquidificador. Há muitos sorvetes feitos assim.
Como por aqui não encontro creme de leite "fresco", e quando encontro é caríssimo, pouco tenho feito sorvete - já que eu gosto de fazer ao modo italiano, creme de leite aquecido e depois misturado aos demais ingredientes. Mas aí vi essa receita ultrafácil do Tastemade, com 1 caixinha de leite condensado, 1 caixinha de 200 mL de creme de leite UHT e 1 xícara e 3/4 de suco de uva integral, e resolvi fazer - why not?, ainda mais com esse calorão. Virou um sorvete de vinho, refrescante e gostoso, além de sofisticado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Ao mesmo tempo ou Yes, nós temos bananas

Ontem, meu sogro apareceu com um cesto repleto de bananas bem maduras, já soltando dos cachos. Deixou um monte aqui para eu "ver o que fazer com elas" e levou um tanto para si. Ele fez banana-passa no forno, eu resolvi testar duas receitas de doce.
Uma foi o famoso doce de puta de que fala Jorge Amado (embora eu não tenha tirado a receita do livro A cozinha baiana de Jorge Amado, que, aliás, não dá quantidades exatas), e o outro foi uma tentativa de doce de corte, que provavelmente requer muito mais que a quase 1 hora de fogo-sem-parar-de-mexer que lhe dediquei. Até porque, junto com os dois doces, eu estava fazendo pão francês.
O doce de puta, com bananas em rodelas, ficou ótimo (só levou 5 bananas, 2 xícaras de água, 1,5 xícara de açúcar demerara, 4 cravos-da-índia e 1 pau de canela - a água e o açúcar caramelizam antes de acrescentar os demais ingredientes). Já o outro doce não foi tão convincente (foram 6 bananas batidas no liquidificador, acrescidas de 1/2 pacote de gelatina incolor hidratada, urucum para colorir, suco de 1 limão, 1/2 colher de manteiga) - ficou com um pouco de gosto de manteiga.
Oportunidade não deve faltar para testar torta de banana, mais doce de todas as consistências, chips salgados etc. Ainda bem.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Afeto e presença - nossos primeiros hóspedes


Quando eu anunciei minha vinda para o Nordeste, muitos amigos comemoraram, pela melhora que isso significaria na minha vida e também por terem um lugar muito mais legal onde me visitar. Mas eu sei que entre a vontade e a realização há alguns hiatos, uns menores, outros maiores, especialmente para quem vive numa megalópole.
Wagninho e Welli, que tantas vezes nos receberam (inclusive com Chico e Zen a tiracolo), com alegria e afeto, foram os primeiros a virem. Não pudemos dar total atenção a eles, como gostaríamos, cada um com seus prazos corridos, então eles saíram sozinhos metade do tempo, curtindo as praias lindas da região. Quando pudemos desfrutar de sua companhia, foi ótimo. Como é bom rever pessoas queridas, e lembrar por que gostamos tanto delas!
Ainda há o bônus inestimável de relembrarmos quem somos, pois elas nos mostram nesses reencontros por que também gostam de nós.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Mulheres no cinema: muito além da figuração

No mês passado, assisti a três filmes com temática feminina - as mulheres como protagonistas, sendo dois deles dirigidos por mulheres.
Quando estava frequentando as aulas da pós na Faculdade de Educação, escrevi um trabalho sobre três documentários que tinham a mulher como figura central, uma coisa cada vez menos rara. Sim, porque até há pouco as mulheres eram quase sempre coadjuvantes - ou a amada ou parente do protagonista, ou, como pontos fora da curva, uma revolucionária destituída de sua feminilidade, ou uma maluca qualquer.
Em tempos recentes, elas têm virado o próprio tema de filmes, resgatando inclusive histórias ameaçadas pelo esquecimento, como a das sufragistas do século XIX (episódio contado em As sufragistas, com Meryl Streep), das mulheres negras que serviam pessoas brancas no sul dos Estados Unidos (como mostrado no lindo Histórias cruzadas), das mulheres ou meninas que se voltaram contra um regime misógino e predador (a trama de Persépolis), das mulheres que sofreram abusos sexuais e psíquicos na ditadura militar no Brasil (O silêncio das inocentes, um documentário que trata desses episódios de horror), das mulheres comuns que agonizam nas mãos de maridos, parentes e desconhecidos abusadores (tantos e tantos casos, reais e recriados na ficção, como o primeiro filme dirigido por Angelina Jolie, Na terra de amor e ódio, sobre a Guerra da Bósnia).
Porque as mulheres têm se unido contra a misoginia, o machismo e todo tipo de desigualdade, as reações predatórias não tardam, como no ato monstruoso de um homem que, na véspera do Ano-Novo, matou doze pessoas em Campinas, nove delas mulheres (vadias, segundo ele afirma em uma bizarra carta de confissão), uma delas sua ex-mulher. Entre as vítimas, também estava seu filho, que ele dizia "amar".
Apesar desse horror ainda presente no nosso patriarcal país, acredito que o movimento feminino não pode mais ser impedido, em todo o mundo. E foi essa a sensação que tive ao assistir Aquarius, Que horas ela volta? e Olmo e a gaivota. Nas três histórias, mulheres que são ou aprendem a ser donas de suas vidas.
A maravilhosa Clara de Sônia Braga enfrenta tudo e todos pelo seu direito de continuar vivendo no espaço onde construiu tantas memórias, e o que parece uma simples querela entre uma mulher de meia-idade e uma construtora mostra questões mais profundas na dinâmica da cidade capitalista. Aliás, isso de ir desvendando camadas ocultas dos conflitos urbanos já aparece em outro filme de Kleber Mendonça Filho, O som ao redor, que já comentei aqui.
A doce Val vivida por Regina Casé no filme de Anna Muylaert me parece um exemplo dessa mulher contemporânea criada ainda para servir, nos moldes machistas da sociedade brasileira, mas que vai sendo levada para a iluminação pela filha Jéssica, exemplo da mulher desperta, que cobra seu lugar no mundo, sem baixar a cabeça para os outros. Quando Val se "atreve" a entrar na piscina, a cena é de uma doçura travessa e revolucionária ao mesmo tempo.
Duas mulheres assinam a direção de Olmo e a gaivota, a brasileira Petra Costa e a dinamarquesa Lea Glob. Os atores do Théatre du Soleil Olivia Corsini e Serge Nikolai estão no centro desse documentário ficcional que mostra a gravidez de Olivia e a partir de então sua relação com o companheiro Serge e com o trabalho na companhia. Entre trechos de ensaio de A gaivota, de Anton Tchekov, reflexões em off de Olivia e momentos de making off do documentário, vamos sabendo mais sobre a protagonista; no caso das mulheres, deve haver ainda, como aconteceu comigo, muitos espelhamentos diante de questões que todas já nos colocamos. Especialmente pela questão do direito ao próprio corpo, esse filme virou símbolo de uma campanha brasileira pelo direito da mulher de abortar, de ser mãe, de não querer ser mãe, de fazer com o corpo o que e com quem quiser.
Tudo o que posso dizer é que estou amando ver as mulheres no papel de si mesmas no cinema. Assim vejo a mim mesma, a outras mulheres que admiro, no cinema.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Mais pão sovado e o pulo do gato para a cor dourada

Eu já publiquei aqui a receita adaptada do Rogério Shimura para o pão sovado, que fiz e ficou ótimo. Mas foi outro dia, quando achei a receita do pão francês, que descobri como deixá-lo dourado sem ter que apelar para o grill do forno. Segundo o próprio Shimura, o acréscimo de açúcar (para quem não tem forno profissional) é que garantiria a caramelização e, portanto, a cor dourada.
Da primeira vez que fiz o pão, usei açúcar demerara. Desta vez, experimentei o refinado, e também não preaqueci o forno. Voilà! Os pães douraram e ficaram lindões. Da próxima vez, vou deixar mais tempo fermentando, o que deve deixá-los mais macios.
Com observação dos processos, os pães vão ficando cada vez melhores - sem ela, a qualidade seria só fruto do acaso.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Pão francês autêntico do Brasil - ou do Sudeste? ou de São Paulo?

Ou quase. Pelo menos na aparência. O sabor é ótimo, mas o pão de padaria sempre parece mais leve - talvez seja o melhorador (antes, era o bromato).
A receita que usei é atribuída ao Shimura pelo blog Cuecas na Cozinha. Só sei que funcionou muito bem - a massa ficou macia, elástica, pouco grudenta. As canaletas que Nana me trouxe serviram perfeitamente.
Abaixo a receita (não usei o melhorador como indicado originalmente):

Ingredientes:
500 g de farinha de trigo
5 g de açúcar refinado
5 g de fermento biológico seco
300 mL de água
10 g de sal

Preparo:
Misturar, nesta ordem, farinha e açúcar, acrescentar metade da água, mexer bem, adicionar o fermento, misturar bem, juntar o restante da água e o sal. Deve-se sovar até chegar ao ponto de véu - eu bati na planetária por uns 10 minutos, até a massa ficar bem macia.
Deixar descansar a massa por 20 minutos, e então porcioná-la em bolinhas de 100 g (a receita original falava em 65 g). Deixar descansar por mais 10 minutos e então modelar em pequenos filões. Deixar descansar por cerca de 40 minutos (enquanto o forno é preaquecido a 180 graus) já na forma com canaletas e polvilhada de farinha. Antes de colocar no forno, cortar a pestana dos filões, pulverizar um pouco de água sobre a massa e também no interior do forno, ao abrir, para criar a nuvem de vapor que forma a casca do pão.
Assar por cerca de 18 minutos.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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