domingo, 17 de setembro de 2017

Comemorando com etruscos e ingleses

Comentei aqui outro dia que estava querendo fazer um prato "etrusco" e uma banoffee pie. Calhou que eu e o marido tínhamos o aniversário de namoro a festejar - eu já não comemorava mais em setembro, porque há o dia dos namorados e também porque resolvemos morar juntos em outra data, além de as comemorações anteriores terem sido meio zicadas. Mas, como foi ele quem se lembrou da data, achei digno retomar a data setembrina. E assim entraram em cena o maiale al latte etrusco/romano e a banoffee pie inglesa.
Os preparativos começaram na véspera, porque quis marinar a carne de porco (usei filé mignon suíno em vez de lombo), embora a Samin Nosrat, professora de culinária do Michael Pollan, não indique isso, mas apenas temperar com sal e pimenta um pouco antes. Eu vi umas dicas num outro site de alguém que já fez o prato e resolvi juntar as duas receitas. Então marinei com vinagre de vinho (porque não tinha vinho), sálvia, alecrim, alho, sal, pimenta-do-reino e limão, para no outro dia selar a carne em azeite bem quente e então adicionar mais alho, sálvia fresca, sal, raspas de casca de limão e 1 litro de leite, incorporado aos poucos, ao longo de quase 3 horas de cozimento. 
Quanto à torta, segui a receita da Dani Noce. O creme de confeiteiro de doce de leite não ficou tão firme, embora gostoso. A dica do creme de leite em lata sem soro e bem gelado para fazer chantilly não funcionou; também não consegui usar meu sifão. Lá fui eu em busca de um preparado para chantilly, da Fleischmann mesmo. Ainda assim, ficou bem gostoso e bonitão. 
O maiale al latte fica com um aspecto talhado, uma espécie de vômito de bebê como bem descreve o Pollan. Mas é uma delícia, ainda mais acompanhado de legumes ao forno.
Foi um jantar preparado lentamente, com paciência, respeito e total atenção, ingredientes também para um relacionamento de longa data como o nosso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Baguetes au levain e incentivo em grupo

Depois do curso de panificação em São Paulo, tenho estado em contato com os colegas pelo whatsapp. Tem sido muito bom ver as criações paníferas de Norte a Sul do país. Acabamos nos incentivando uns aos outros, o que é maravilhoso. Vejo as criações de Rafa, Guerra, Raul, Júlio e Janete e quero fazer também. Eu, ainda com meu forninho doméstico, vou junto. E eles também torcem, uma preciosidade nestes tempos esquisitos de desamor e intolerância.
Enquanto não compro meu forno profissional, faço baguetes au levain. Mas acho que não precisava ter demorado tanto para chegar a esse resultado, embora tenham ficado ótimas - claro que valeu também como desculpa para refrescar o fermento (que logo vai completar 3 anos!).

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

De tédio, aqui não se morre

Não posso reclamar de tédio na minha vida. Nunca. Posso sufocar por fazer somente a mesma coisa, querer sair por aí, espanar a mesmice - mas não posso falar que a vida em si é tediosa, pois ela tem momentos tão diversos, coisas acontecendo ao redor da mesmice, que seria injustiça classificá-la assim.
Ontem, matei meu primeiro (pequeno) escorpião, no banheiro de casa. Depois interrompi com Raid e raiva a cópula de duas baratonas. Hoje soube que meu pão bonitão de damasco e nozes embatumou - e lá fui eu fortalecer o levain, até porque já faz algumas vezes que os pães de levain não têm saído bonitos e gostosos.
Hoje também fui ao primeiro encontro como voluntária no projeto de jovens local. Isso já foi um sopro benfazejo sobre a rotina: não sei viver sem cebolas, mas também não sei viver sem compartilhar o conhecimento.
Outro dia pensei em por que temos assistido a tantos filmes e séries sanguinolentos - a vida imitando a arte e vice-versa - e concluí que queria um pouco de beleza na minha vida. Aí fico sabendo que haverá uma oficina do Matizes Dumont em Salvador. Claro, estarei lá, em busca de beleza e histórias.
Em meio aos horrores de notícias de catástrofes naturais, corrupção e violência (catástrofes sociais), oriento um amigo na feitura de seus pães, pelo bate-papo virtual.
Eu bem gostaria de pegar um cinema de vez em quando, de viajar mesmo que para perto, mas devo admitir que tem sido interessante olhar com mais atenção para a vida cotidiana, que agrega a cada dia pequenas mudanças na tessitura que dela faço.

domingo, 10 de setembro de 2017

Pães e ideias lariquentas de final de semana

Tenho me programado para fazer pães no final de semana, no mínimo. Como temos um aniversário a comparecer amanhã, resolvi fazer pães para a reuniãozinha. Os escolhidos foram o de damasco e nozes de levain e o rústico de ervas da Heloísa Bacellar, sucesso. Já usando uma grade apropriada para o resfriamento.
Claro que, nesse meio tempo, no intervalo de uma ou outra fermentação ou modelagem, relendo o livro do Pollan, vi uma receita de porco cozido no leite, e depois achei a própria, publicada pela professora de culinária do autor: chama-se maiale al latte, talvez uma receita etrusca. Quero fazer, pra ontem. Também querendo fazer banofee pie. Pra anteontem. Isso pra não falar nas ideias de cardápio semanal, à base de curry, batata-doce, funghi secchi.
O problema da cozinha é apenas esse: querer fazer cada vez mais. E eu que reduza as porções e aumente os giros no pedal, pois emagrecer está cada vez menos fácil.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Encomenda valendo

Recebi outra encomenda de pães. Mas agora eu estava emocional e tecnicamente mais preparada - houve tempo para comprar ingredientes, planejar o mise-en-place e tal.
Porém, como eram pães delícia, o tempo de preparo foi grande. Fiquei o dia todo por conta disso, e estava tão concentrada que nem senti fome - só quando os pães saíram do forno com aquele cheirinho irresistível.
Como eles ficaram supermacios, preferi entregá-los sem empilhar, para não correr o risco de amassados. E tinha até cartõezinhos prontos para deixar minha marca, com gosto de sol.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A diferença que a boa qualidade faz

Ultimamente, quando compro utensílios, ou são de cozinha, ou são de ciclismo. Me divido entre uma compra de grade de pães e cookies e um frequencímetro no Mercadolivre, por exemplo. E atesto que faz uma diferença enorme que ambos sejam de boa qualidade. Guga diz que de vez em quando precisa apelar para a "Solange" que existe dentro dele para comprar algo mais caro, e eu logo argumento que isso é normalmente um investimento de médio e longo prazo.
Eu tinha quase tudo de boa qualidade associado à bike, mas ainda não tinha uma bike nova. Não que LaBelle não seja ótima, mas ela não ajuda muito em treinos mais longos - depois de 40 minutos, já sinto dor no trapézio. Bem ou mal, embora seja uma bike feminina, ela é grande para mim.
Quando Guga foi comprar Pérola, eu já tinha visto uma Cannondale Foray na loja de Ramiro. Foi experimentá-la e ter a sensação de vestir a armadura do Homem de Ferro, ajuste perfeito. Quadro para mulheres pequenas, mais estável que a GT, aro 27,5, pneus de kevlar. Fiquei de estudar o assunto e voltar depois.
Mais de quatro meses depois, voltei. Ainda experimentei uma GT e uma Caloi só pra ter certeza, mas o quadro das duas ainda era grande. Lá estava a Foray. Comentei com o vendedor que minha única questão eram os componentes da bike, não tão bons quanto os da Caloi, por exemplo. Ele propôs, e depois foi chancelado por Ramiro, trocarmos os componentes e acertar a diferença. Fariam a troca das peças sem cobrar nada. Ainda por cima, a bike estava com um desconto de uns 15%. Claro que ela custou metade de uma bicicleta de trilha para competição, mas vai super dar conta do recado com o que espero dela.
Hoje, fiz a estreia. E deslizei. A sensação de ter feito metade do esforço habitual pedalando mais longe. Até a megaladeira de casa eu subi até o fim.
Agora, LaBelle será a bike dos pequenos deslocamentos cotidianos. A recém-chegada é, desde já, a nova abridora de caminhos.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Peixe no papillote com legumes e salada

Sem segredo: caminha de legumes (previamente cozidos al dente), filés de tilápia, sal, limão, azeite, pimenta-do-reino e ervas frescas. Tudo envolvido pelo papel alumínio e levado ao forno por 15-20 minutos.

Cabeceira

  • "Arte moderna", de Giulio Carlo Argan
  • "Geografia da fome", de Josué de Castro
  • "A metamorfose", de Franz Kafka
  • "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez
  • "Orfeu extático na metrópole", de Nicolau Sevcenko
  • "Fica comigo esta noite", de Inês Pedrosa
  • "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector
  • "O estrangeiro", de Albert Camus
  • "Campo geral", de João Guimarães Rosa
  • "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway
  • "Sagarana", de João Guimarães Rosa
  • "A paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector
  • "A outra volta do parafuso", de Henry James
  • "O processo", de Franz Kafka
  • "Esperando Godot", de Samuel Beckett
  • "A sagração da primavera", de Alejo Carpentier
  • "Amphytrion", de Ignácio Padilla

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